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Empregos no setor de renováveis crescem e puxam desafios para transição justa

Nayara Machado
29 de novembro de 2021
Em Diálogos da Transição
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desafios para transição justa

Parque eólico na Índia - Foto por Global Wind Energy Council

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Diálogos da Transição

epbr.com.br | 29/11/21
Apresentada por


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Editada por Nayara Machado
[email protected]


O setor de energia renovável empregou 12 milhões de pessoas em 2020, com a geração de cerca de 500 mil novos postos de trabalho, e teve um desempenho melhor do que a energia fóssil durante a pandemia Covid-19, indica a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, em inglês).

A expectativa é que, até 2050, o segmento de renováveis seja responsável por 43 milhões de empregos — dos 122 milhões de trabalhadores no setor de energia.

Apesar dos números positivos, ainda há um longo caminho a ser percorrido para alcançar a chamada transição justa.

A transição energética revelou a necessidade de expandir a qualificação em todas as regiões do mundo para criar uma força de trabalho especializada. Atender a essa necessidade exigirá mais treinamento vocacional, currículos mais sólidos e maior treinamento de instrutores.

Na outra ponta, será preciso garantir empregos decentes, diversidade de gênero, inclusão de minorias e oportunidades adequadas para jovens nessa equação.

“Empregos decentes não serão criados automaticamente na transição energética; o apoio político ambicioso e os investimentos em uma transição energética orientada para o futuro, segura para o clima e justa precisarão ser sustentados e expandidos”, diz a Irena.

De acordo com a análise, as estruturas salariais variam enormemente entre países e segmentos. Uma grande parte da cadeia de abastecimento de bioenergia, por exemplo, emprega trabalhadores agrícolas de baixa remuneração e condições de trabalho perigosas, alerta.

“Estruturas políticas abrangentes baseadas em um diálogo social eficaz devem usar incentivos do mercado de trabalho para abrir novas possibilidades para trabalhadores que perdem empregos na energia convencional, juntamente com políticas industriais e empresariais para alavancar as indústrias domésticas existentes”, completa.

O relatório da agência aponta ainda para a falta de integração entre conteúdo local e emprego local, especialmente no segmento de geração eólica onde serão necessários mais esforços e acordos de contratação, desenvolvimento técnico e capacitação da população onde os projetos são instalados.

Perfil dos empregos em renováveis em 2020 (Irena):

  • Com 4 milhões de trabalhadores, a indústria solar fotovoltaica gerou pouco mais de 200 mil novos empregos em 2020, e se mantém como o segmento que mais emprega.

  • Empregos na área de biocombustíveis caíram ligeiramente em todo o mundo para 2,4 milhões (de 2,5 milhões em 2019), devido às reduções na demanda durante a pandemia, preços mais baixos para combustíveis fósseis e algumas políticas adversas. Exemplo do Brasil, que tem reduzido o percentual obrigatório de biodiesel no diesel.

  • Eólica subiu de 1,17 milhão em 2019 para 1,25 milhão de postos de trabalho em 2020, sendo um número crescente nas operações e manutenção e na energia eólica offshore.


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Desigualdade de gênero ainda é latente. Mulheres representam apenas 32% da força de trabalho geral de energia renovável e 21% da força de trabalho eólica, mostra a Irena.

Quando se trata de funções em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), esses números são ainda menores: 28% e 14%, respectivamente.

“Embora isso demonstre que as mulheres têm uma presença muito mais forte em energias renováveis ​​do que no setor de energia como um todo e em petróleo e gás, isso confirma que elas continuam sub-representadas”, diz.

Relatórios de países como Canadá, Alemanha, Itália, Espanha e Estados Unidos indicam que menos de 30% dos empregos no setor de energia renovável são ocupados por mulheres.

Além disso, a análise da Irena revela que as mulheres têm maior probabilidade de estar empregadas em áreas de salários mais baixos, cargos não técnicos, administrativos e de relações públicas do que em cargos técnicos, gerenciais ou de formulação de políticas.

“Isso contrasta fortemente com o fato de que as mulheres representam mais da metade dos estudantes universitários e quase metade da força de trabalho nos países em estudo”.

No Brasil, levantamento da KPMG entre lideranças do setor de energia identificou que recrutamento e a retenção de funcionários são prioridades nos próximos três anos para 29% dos pesquisados.

A maioria (86%) dos líderes planeja aumentar o quadro de funcionários no mesmo período.

Apesar disso, menos da metade (43%) dos entrevistados reconhece o foco na saúde mental e no bem-estar dos funcionários como fator-chave de sucesso para garantir que eles estejam engajados, motivados e produtivos em um mundo onde o trabalho híbrido é cada vez mais comum.

Vale um destaque: A EDP está com inscrições abertas, até 3 de dezembro, para a primeira escola de eletricistas exclusiva para pessoas trans no país. Serão duas turmas com 16 participantes cada, em Guarulhos (SP) e Serra (ES). As aulas começam em janeiro, Mês da Visibilidade Trans.

Tudo sobre: BiocombustíveisBioenergiadiversidadeEnergia EólicaEnergia RenovávelEnergia solar fotovoltaicaEstratégia ESGGêneroIrenaTransição justa

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