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Sete fatos extremamente positivos no leilão do pré-sal, por Pedro Zalán

A 4ª. rodada de Licitações de blocos em regime de partilha realizada hoje pela ANP foi um sucesso, um grande sucesso. Mesmo não tendo atraído interesse em um dos quatro blocos, a adjudicação de três blocos para três consórcios diferentes contendo seis grandes companhias de petróleo diferentes deve ser considerado um sinal fortemente positivo para a indústria nacional.

+ Veja como foi a 4ª rodada do pré-sal lance a lance

16 empresas disputam blocos na 4ª rodada do pré-sal

Onze companhias agrupadas em quatro consórcios disputaram vorazmente o bloco Uirapuru, situado na Bacia de Santos. Pela primeira vez na história de bids em regime de partilha a Petrobras (e seus parceiros) foi batida por um consórcio competidor. O consórcio liderado pela Equinor (ex-Statoil) e ExxonMobil ofereceram 75,49% de alíquota do Óleo-Lucro para a União, batendo os outros também altos valores de 68,5%-72,49% oferecidos pelos outros consórcios. A estrutura de Uirapuru fica imediatemante a norte de Carcará e Carcará Norte, onde a Equinor e ExxonMobil são as concessionárias. Não será surpresa se a exploração futura indicar que estas três estruturas fazem parte de uma única e contínua mega-estrutura gigantesca, rivalizando com os campos de Lula e Búzios. Compreende-se assim a oferta espetacularmente alta do consórcio vencedor. A Petrobras fez valer sua posição de participante preferencial no regime de partilha, concedida pela legislação atual, e decidiu confirmar sua participação no consórcio vencedor.

Cinco companhias agrupadas em dois consórcios disputaram o Bloco Três Marias, também na Bacia de Santos. Aqui também, o consórcio liderado pela Petrobras foi batido por uma oferta de 49,95% de do Óleo-Lucro para a União, ofertado pelo consórcio Shell/Chevron. Novamente, a Petrobras decidiu participar do consórcio vencedor.

No Bloco Dois Irmãos o consórcio Petrobras/Equinor/BP apresentou oferta isolada pela alíquota mínima e ganhou o bloco sem competição. O Bloco Itaimbezinho, como já era esperado pelos especialistas, não recebeu nenhuma oferta. Durante a entrevista coletiva, o Diretor-Geral da ANP esclareceu que a colocação deste bloco deveu-se à indicação de uma das companhias inscritas no certame, mas, nem esta companhia acabou apresentado oferta. Ambos blocos situam-se na Bacia de Campos.

Os fatos extremamente positivos desta rodada foram:

(1) A participação de 11 das 16 companhias inscritas na rodada, através da formação de 7 consórcios diferentes.

(2) O fim do mito de que a Petrobras seria imbatível uma vez exercido o seu direito de preferência a blocos determinados.

(3) A confirmação do posicionamento das majors Equinor, ExxonMobil, Shell, BP, Total e Chevron como investidoras firmes e permanentes na indústria petrolífera brasileira. Elas estão aqui para ficar e por um longo tempo.

(4) O voô solo das duas companhias chinesas na disputa pelo Bloco Uirapuru.

(5) Os ágios obtidos em 2 dos 4 blocos (500,36% e 240,35%).

(6) Os investimentos previstos de R$ 738 milhões.

(7) O bônus acumulado de R$ 3,15 bilhões; com a específica promessa feita pelo Secretário de Petróleo e Gás Natural do MME,João Vicente de Carvalho, de que este dinheiro não seria usado no subsídio do óleo diesel.

Fica também evidente que é um excelente negócio para as companhias que não obtêm o privilégio de participar de um consórcio liderado pela Petrobras, na disputa de um bloco em que seu direito de preferência foi exercido, tentar competir e bater a Petrobras nesta disputa. Primeiro, porque eles garantem a operação do bloco pela melhor operadora de Pré-Sal do mundo, a Petrobras. Em segundo, a Petrobras entra minoritariamente, só com 30%, e os outros participantes do consórcio vencedor têm a participação majoritária. Portanto, em caso de alguma disputa interna, a decisão final será sempre dos participantes que ousaram oferecer uma alíquota maior para o governo brasileiro.

Sob todos os pontos de vista possíveis, esta rodada concebida e realizada pela ANP, foi mais um estrondoso sucesso. Que bom!

Pedro Zalan é geólogo e consultor e trabalhou por 34 anos na Petrobras.




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