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O que pensam os pré-candidatos à presidência sobre o setor petróleo

Megavalendo

Faltando um ano para as eleições presidenciais de 2018, pré-candidatos – alguns já com campanha nas ruas – e seus partidos se movem para a formulação de alianças e pela busca de eleitores. Na primeira eleição após o impeachment de Dilma Rousseff, com o fim da doação por empresas e executivos de diversas empresas presos pela Operação Lava Jato, o setor petróleo estará certamente no centro das discussões.

A E&P Brasil fez um levantamento nos perfis públicos nas redes sociais dos principais pré-candidatos apontados pela última pesquisa do Datafolha. A ideia é tentar mostrar como eles pensam o setor petróleo, indicar possíveis caminhos e tendências.

É claro, em um ano tudo pode mudar na política. Inclusive os próprios políticos. Por isso, este levantamento é uma fotografia do momento atual. Outros serão feitos nos próximos 12 meses.

LULA – EX-PRESIDENTE

O ex-presidente Lula durante comício na cidade de Fortaleza
O ex-presidente Lula durante comício na cidade de Fortaleza

O ex-presidente Lula lidera todos os cenários quando participa da pesquisa. No cenário com Lula e Alckmin, o petista tem 35%, o dobro do segundo colocado, Bolsonaro, que tem 17% e empata tecnicamente com Marina, que tem 13%. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem (8%), e na sequência aparecem Álvaro Dias, do Podemos (4%), Henrique Meirelles, do PSD (2%), Chico Alencar, do PSol (com 1%), e João Amoêdo, do Partido Novo (1%).

Votariam em branco ou nulo 16%, e 2% não opinaram. Quando João Doria é incluído como candidato no lugar de Alckmin, a situação é similar: Lula tem 36%, e na sequência aparecem Bolsonaro (16%), Marina (14%), Doria (8%), Alvaro Dias (4%), Henrique Meirelles (2%), Chico Alencar (1%) e João Amoêdo (1%). Entre os mais ricos, o prefeito de São Paulo tem 15%, mesmo patamar de Lula (17%) e Marina (15%), e atrás de Bolsonaro (24%).

Lula foi responsável pela implantação do modelo de partilha de produção do país, com a criação da Petróleo Pré-Sal (PPSA).

Também surgiu no governo Lula, depois do anuncio da descoberta da nova fronteira exploratória, o Fundo Social do Pré-Sal. Durante os 13 anos que o Partido dos Trabalhadores esteve no poder defendeu a centralização das atividades do setor petróleo nas mãos da Petrobras e a estatal como indutora da política industrial brasileira.

 



JAIR BOLSONARO – DEPUTADO FEDERAL

 

– Jair Bolsonaro na Bloomberg TV, Estados Unidos: economia, minerais, privatizações, respeito aos contratos, …

Publicado por Jair Messias Bolsonaro em Domingo, 15 de outubro de 2017

Na mesma pesquisa, o conservador Jair Bolsonaro, deputado federal pelo PSC/RJ,  permaneceu em segundo lugar nas intenções de voto, com 15% a 19%, tecnicamente empatado com Marina Silva. Nos canais oficiais de Bolsonaro, o deputado ainda não se posicionou sobre temas específicos quanto à regulação do setor petrolífero e, mesmo esbarrando no tema, também não se declarou, claramente, à favor ou contrário à privatização da Petrobras. Vice nas pesquisas, Bolsonaro também fica em segundo em termos de rejeição.

MARINA SILVA – PORTA-VOZ NACIONAL DA REDE SUSTENTABILIDADE

Marina Silva em evento que marcou os 70 anos do PSB
Marina Silva em evento que marcou os 70 anos do PSB. Foto: Agência Brasil

Em 2014, ao assumir a candidatura do PSB, após a morte de Eduardo Campos, à época, o programa de governo encabeçado pela ambientalista recebeu críticas por não dar destaque ao desenvolvimento do pré-sal. O plano falava em estratégia para o conteúdo local no setor (“só são efetivas enquanto constituírem casos especiais, e não a regra”), tido como um dos pilares de desenvolvimento de política industrial. Seu partido, o Rede, faz oposição ao governo Temer. Marina foi candidata em 2010 e 2014, recebendo mais de 20 milhões de votos em cada eleição.

 

 

GERALDO ALCKMIN – GOVERNADOR DE SÃO PAULO

Geraldo Alckmin durante o encerramento do Conselho Empresarial Brasil-Suécia
Geraldo Alckmin durante o encerramento do Conselho Empresarial Brasil-Suécia. Foto: Agência Brasil

Mesmo sem ter iniciado uma agenda clara de pré-candidatura à eleição de 2018, o governador de São Paulo é nome forte para disputa pela presidência pelo PSDB, partido que está rachado na defensa do governo Michel Temer. Alckmin apoiou o projeto do senador tucano, José Serra, que encampou a mudança na Lei de Partilha e acabou com a obrigatoriedade da operação da Petrobras no pré-sal e está apoiando fortemente o programa RenovaBio, implantado pelo Ministério de Minas e Energia. 

Geraldo Alckmin é governador em um momento em que São Paulo caminha para tornar-se protagonista na produção de petróleo, graças ao pré-sal da Bacia de Santos. “Quem for governador de São Paulo daqui a dez ou quinze anos vai governar Abu Dhabi. Vamos ser um grande produtor de óleo e gás”, disse o governador. Alckmin foi o candidato do PSDB em 2012, quando perdeu para o ex-presidente Lula.

HENRIQUE MEIRELLES – MINISTRO DA FAZENDA

Henrique Meirelles durante evento empresarial em SP
Henrique Meirelles durante evento empresarial em SP. Foto: Agência Brasil

Atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles é conhecido por 53% dos entrevistados pelo Datafolha, mas somente 9% declaram conhece-lo muito bem, e 16%, um pouco. É uma taxa de conhecimento próxima a de Rodrigo Maia (49%, dos quais 10% o conhecem muito bem) e Alvaro Dias (47%, dos quais 8% o conhecem muito bem). O deputado federal do PSol Chico Alencar é conhecido por 39%, dos quais 5% o conhecem muito bem, e o menos conhecido entre os nomes listados é João Amoêdo, conhecido por 19%, sendo que somente 1% declaram conhece-lo muito bem.

Meirelles foi presidente do Banco Central durante os dois governos do ex-presidente Lula depois de ter renunciado ao cargo de deputado federal eleito pelo PSDB para assumir o comando do banco. Defendeu o projeto de lei do senador José Serra (PSDB/SP) que terminou com a exclusividade da operação da Petrobras nas áreas do pré-sal como uma medida boa para o país. “Acho que é algo muito positivo, pois a Petrobras continuará agindo de maneira eficiente, agora dimensionada à capacidade da empresa”, disse ao participar da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), há um ano.

 

JOÃO DORIA – PREFEITO DE SÃO PAULO

Abertura oficial do Fórum de Investimentos Brasil 2017. Discurso do Prefeito de São Paulo, João Dória. Foto: Marcos Corrêa/PR
Abertura oficial do Fórum de Investimentos Brasil 2017. Discurso do Prefeito de São Paulo, João Dória. Foto: Marcos Corrêa/PR

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB –SP), foi quem viu a rejeição a seu nome mais crescer, e Lula teve a maior queda no índice dos que não votariam de jeito nenhum em seu nome. Mais conhecido, Lula é o mais rejeitado: 42% não votariam de jeito nenhum no petista, índice inferior ao registrado em junho (46%). Doria defendeu recentemente a privatização gradual da Petrobras.

Em entrevista à coluna do Fraga, do portal R7, o prefeito disse que se fosse presidente privatizaria a Petrobras e faria mudanças no programa Bolsa Família. Mesmo não assumindo sua candidatura à Presidência da República em 2018, Doria ressaltou que não pensaria duas vezes na privatização da estatal. ” Uma joia da coroa, que só serviu para que fosse roubada por 13 anos pelos petistas. Veja se nos Estados Unidos tem alguma Petrobras”.

 

CIRO GOMES – EX-MINISTRO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL

Ciro Gomes na II Semana de Políticas Públicas da UFABC
Ciro Gomes na II Semana de Políticas Públicas da UFABC. Foto: Murilo Silva/CAPOL

Pré-candidato do PDT à sua terceira tentativa presidencial, Ciro Gomes é contrário às reformas tocadas na presidência de Michel Temer, e promete que vai retomar concessões ou áreas de partilha da produção depois de “revogar a Lei de Partilha”, mediante indenização às empresas. O ex-ministro de Lula (Integração Nacional) e Itamar Franco (Fazenda) defende a capitalização da Petrobras e verticalização de suas operações no refino e petroquímica. Pelo Datafolha, Ciro Gomes, que não participa de todos os cenários simulados, tem entre 4% e 10% de intenção de votos.

 

Editor-Chefe da Agência E&P Brasil

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