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A retomada do setor: como está sua empregabilidade?

As cartas estão lançadas. Em setembro, a ANP licitou na 14a rodada da ANP 37 novos blocos exploratórios. Em outubro, outras oito áreas no pré-sal vão para leilão. Além dessas boas notícias do grande número de empresas interessadas em investir no setor de petróleo e gás no Brasil, a revista EXAME trouxe como matéria de capa alguns números mostrando que a melhora está chegando: o desemprego caiu 5%, as vendas de carro subiram 4%, os serviços estão reagindo e as exportações em alta. Seria um prenúncio de avanço econômico e consequentemente um sinal de melhora para o país? Meu objetivo aqui não é tentar adivinhar quando e como sairemos dessa, mas sim trazer à tona um aspecto que será muito importante caso esse cenário se confirme: EMPREGABILIDADE. Aliás, como está a sua?

Em artigo publicado na Rigzone,  a consultoria Graves & Co estima que até fevereiro de 2017 mais de 440.000 demissões ocorreram no setor de Petróleo e Gás desde o começo da crise.

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No contexto brasileiro esses números são ainda piores. Levantamento feito pelo jornal ‘Estado’ com dez das maiores empresas citadas na Lava Jato mostra que, somente entre funcionários diretos e terceirizados dessas companhias, o corte de vagas entre o fim de 2013 (antes da deflagração da Lava Jato, em março de 2014) e dezembro de 2016 foi de quase 600 mil pessoas, e analistas apontam que o efeito foi ainda maior, quando se consideram as vagas indiretas.

Obviamente, não são 600 mil pessoas que trabalham diretamente no setor de Óleo e Gás, no entanto, são pelo menos mais 600 mil pessoas a mais disponíveis no mercado de trabalho à procura de uma oportunidade. Quando a economia começar a melhorar e as empresas do setor de Petróleo começarem a investir, a concorrência será grande, não só com aqueles que também estão buscando recolocação, mas sim com aqueles que mesmo na crise permaneceram e estão ainda mais fortalecidos, afinal, como conseguiram se manter, pressupõe-se que possuem competências que foram importantes para a empresa naquele momento. A verdade é que, no final, só os mais empregáveis terão a oportunidade. E é sobre isso que vou falar.

Afinal, o que é empregabilidade e como medi-la e potencia-la?

No sentido mais comum, empregabilidade tem sido compreendida como a capacidade de o indivíduo manter-se ou reinserir-se no mercado de trabalho, assim como a qualidade de estar sincronizado com as exigências do mercado de trabalho. Em resumo, é a arte de se manter desejado pelo mercado, ou seja, tornar-se altamente “empregável”. Neste contexto de crise no setor, poucos empregos e retomada da indústria, é essencial que tenhamos a habilidade de estar sempre atualizado, sobretudo saber aprender a aprender, para adaptar-se à esse mundo que está em constante mudança.

É necessário, portanto, constantemente fazermos uma autoavaliação das nossas competências para saber se temos vantagem competitiva ou não em relação à concorrência no mercado de trabalho. Para isso, recomendo utilizar o MODELO VRIO, também conhecido como ANÁLISE VRIO. Ela é uma ferramenta estratégica utilizada pelas empresas para fazer uma análise interna de valor. (para entender melhor, existem alguns sites que já escreveram artigos trazendo o conceito mais aprofundado, como o Administradores por exemplo)

De maneira geral, ele analisa a vantagem competitiva da empresa perante o mercado respondendo às seguintes perguntas:

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Embora seja uma ferramenta utilizada inicialmente pelas empresas, ela é perfeitamente aplicável em nossa vida profissional, ainda mais em momentos de crise. Nesses momentos onde cortes de pessoal são comuns, frequentemente vemos colegas de profissão e até amigos próximos perdendo seus empregos. Mas por que será que eles perderam? Não tinham as competências necessárias? E aqueles que ficaram? Tinham algo que era valioso pra empresa?

Para fazer essa autoavaliação, basta fazer essas mesmas perguntas da imagem acima tomando como base o contexto da nossa competência, formada pelo CHA (conhecimentos, habilidades, e atitudes), a situação da empresa, cenário atual e etc. Por exemplo:

  • Meu conjunto de competências são valiosos pra a empresa? 
  • Sou um profissional raro? Ou seja, meu conjunto de competências não são fáceis de encontrar? 
  • O que eu faço, qualquer um conseguiria fazer facilmente e rapidamente? 
  • Estou organizado o suficiente para saber utilizar minhas competências quando necessário?
  • Minhas competências são aproveitadas pela empresa? Existe espaço para coloca-las em prática e exercê-las? 

Se na sua autoavaliação, todas as respostas foram SIM, você tem uma vantagem sustentável em relação aos outros. Você é importante para a empresa, e com certeza ela pensará 2 vezes antes de te descartar num momento de crise. No entanto, se algumas respostas dessas foi não, é importante estar atento para identificar no que você pode melhorar, pois você estará em desvantagem competitiva ou paridade competitiva, ou seja, será um dos primeiros a serem lembrados numa “lista negra” ou será mais um que não fará diferença se sair.

Essa mesma análise também vale para pessoas que estão em busca de recolocação no mercado de trabalho e também para aquelas que desejam aproveitar as oportunidades que irão surgir com o reaquecimento do mercado. Para isso, é importante que você conheça a empresa que deseja entrar, declare o que você quer, pergunte sobre a posição e converse com pessoas que trabalham ou já trabalharam nesse tipo de trabalho ou na empresa, pegue feedback com recrutadores do setor sobre as principais competências desejáveis, e por fim agradeça àqueles que te ajudaram. Isso nos leva à minha segunda sugestão de ferramenta , que irá ajuda-lo à potencializar sua empregabilidade: a RODA DA ABUNDÂNCIA.

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A Roda da Abundância é uma ferramenta muito utilizada em processos de coaching e visa desenvolver seu autoconhecimento, guiar atitudes, promover crescimento e potencializar sua vida e carreira.

Ela é dividida em quadrantes que se referem à forma de proceder em relação aos seus objetivos:

  • declarar – evidencie e torne claro aquilo que deseja, seja em papel, mapa mental ou planilha excel. O importante é que não fique somente na sua cabeça pois a chance de se perder no meio de outras milhares de preocupações e atividades é muito grande;
  • solicitar – uma vez declarado, é hora de planejar, traçar um plano de ação e reunir os recursos necessários para que os objetivos possam ser alcançados. Isso inclui fazer contatos, acessar sua rede e etc.;
  • agir – Uma vez planejado e organizado, é hora de arregaçar as mangas e ir atrás do seu objetivo, seguindo seu plano de ação, porém, sabendo ser flexível em caso de mudanças;
  • agradecer – Por último mas não menos importante, é necessário reconhecer o que conquistou, agradecer pelas conquistas e por quem ajudou. Mesmo que nem sempre ocorra da forma planejada.

No contexto da empregabilidade, a prática dessas ações gera direcionamento para que a pessoa alcance o tão sonhado objetivo da (re)colocação profissional. Ao avaliar num range de 0 a 10 o quanto você está declarando, solicitando, agindo e agradecendo, você será capaz de avaliar em que nível está em cada quadrante em relação ao seu objetivo e a partir dessa análise, preparar um plano de ação para melhorar e atingir o 10 necessário para atingir o seu objetivo.

Com a análise VRIO e a análise da Roda da Abundância feitas de forma estruturada, você estará melhorando bastante seu nível de autoconhecimento e entendimento do mercado à sua volta, permitindo-o estar preparado para a tão aguardada retomada do setor ou pelo menos, para continuar navegando nas águas turbulentas e incertas da economia brasileira.

Por fim, é importante destacar que para que essas análises sejam mais eficazes, mais do que entender o que está acontecendo à sua volta, é preciso estar atento ao futuro e às mudanças que estão surgindo e ainda vão surgir. Afinal, uma posição, setor ou indústria que hoje tem grande demanda, amanhã pode nem existir mais. A revolução digital e a indústria 4.0, com suas novas tecnologias e novas relações de trabalho, estão chegando cada vez mais fortes e portanto precisamos estar preparados. Neste contexto, somente a inteligência técnica não é mais um grande diferencial. Novas habilidades serão exigidas e um novo tipo de inteligência está surgindo e será cada vez mais necessária para que sejamos bem-sucedidos neste turbulento mercado de trabalho: as SOFT SKILLS e a INTELIGÊNCIA RELACIONAL. Mas isso é tema para o próximo artigo!

Muito obrigado pela leitura! Nesta coluna estarei escrevendo mensalmente sobre Carreira, Transformação Digital, Indústria 4.0 e suas implicações na Indústria de Petróleo, Gás e Energia no Brasil e no mundo. Caso queira acompanhar esses assuntos, fique ligado nesta coluna e também fique à vontade para me seguir nas redes sociais.

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