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A logística no descomissionamento – parte 4

Nesta parte 4, que pretendo seja a última desta série “logística” (digo que pretendo porque quando começo a escrever nunca sei onde vou parar), vamos falar sobre a logística para descomissionamento de linhas, equipamentos submarinos e risers, sem entrar, ainda, nas plataformas, que vou deixar para o fim.

Para não perdermos o foco, vamos lembrar de toda a cadeia produtiva na área de O&G, sua interação ideal, que culmina com o Descomissionamento. Chegada a hora de retirar as coisas lá de baixo, ou de deixa-las por lá. 

Clareza solar até aqui?

Fig. 1: Arranjo submarino
Fig.2 Tipos de sondas (só para ter uma ideia)

Então vamos em frente, lembram da figura 1 abaixo? Ela nos mostra um campo desenvolvido em produção. Complementei com a figura 2, para ilustra melhor tudo o que está lá embaixo. Um arranjo submarino típico, contém, entre outros elementos, o seguinte:

– Cabeça do Poço: Existem dois tipos de sistemas de cabeça de poços submarinos (SCPS): para Unidades Flutuantes e para Unidades Apoiadas no Fundo do Mar;

– ANM (ÁRVORE DE NATAL MOLHADA), Convencional ou Vertical, composta de: ANM Propriamente Dita, Base Adaptadora da Produção, Suspensor de Coluna de Produção (tubing hanger)             , MCV – Módulo de Conexão Vertical, Capa da ANM – Tree Cap   , Ferramentas;

– DUTOS SUBMARINOS: Rígidos, Flexíveis, Elementos Acessórios, Umbilicais;

Risers: Trecho suspenso de um duto submarino cuja função é conduzir os fluidos oriundos dos poços ou manifolds até a UEP (Unidade Estacionária de Produção). Constitui-se num componente crítico de um sistema submarino de produção, por estar submetido a elevados esforços de tração e fadiga, devido ao seu próprio peso, à ação de correnteza, aos efeitos das ondas e as movimentações da UEP;

Manifold: A principal, função de um manifold é o de reunir, em uma só linha, a produção oriunda de vários poços. É constituído por arranjos de tubulações (coleta, injeção, teste e exportação), conjunto de válvulas de bloqueio, válvulas de controle de escoamento (chokes) e subsistemas de monitoramento, controle e interconexão – usualmente por via elétrica – com a UEP. No caso de injeção de gás e água, o manifold tem como função distribuir para os poços os fluidos de injeção vindos da UEP. As funções de produção e injeção podem estar contidas num mesmo manifold;

– PLEM (PIPELINE END MANIFOLD), PLET (PIPELINE END TERMINATOR);

– S-BCSS (BCSS SOBRE SKID) e BCSS traditional;

– VASPS (VERTICAL ANNULAR SEPARATION AND PUMPING SYSTEM);

– RWI (raw water injection)

Lembro que os arranjos submarinos de produção, partem da escolha dos equipamentos que serão utilizados e de que maneira eles estarão dispostos (layout), que é o resultado do processo de otimização que envolve diversas variáveis, tais como: Número de poços e posicionamento dos mesmos, comprimento e diâmetro dos dutos de produção, posicionamento da unidade produção flutuante, tipo de ancoragem, meios de instalação, perfil de produção desejado, necessidade de utilização de meios de elevação artificial, entre outros.

Nota: pensei em colocar figuras mostrando cada equipamento, mas ficaria muito pesado o arquivo. Porém sugiro vocês procurarem ou, se inscreverem no curso, assim que eu o divulgar.

Até aqui, Clareza Solar??

Operação no mar:

Vejam nas figuras 3a6, ANM; MSP; PLEM, que adicionei somente para vocês terem uma ideia da complexidade, já na fase de comissionamento, afinal são equipamentos que podem pesar até 200 toneladas.

Agora vejam nas figuras 7 a 9, estes equipamentos instalados no fundo do mar, após anos de operação.

Agora, vejam abaixo, mais algumas nomenclaturas de equipamentos e sobressalentes de marinharia, além de quantidades e dimensões. Os números que verão a seguir, são uma estimativa do que será desativado com o descomissionamento de P-07, P-12, P-15 e P-33. Então extrapolem à vontade e imaginem o que vem por aí. Lembro ainda que, as quantidades abaixo, se relacionam somente com o a abandonar, quando da emissão do PD e PDI (já falei sobre eles, lembram?), das unidades citadas:

-Poços a abandonar quando da emissão do PD e PDI (já falei sobre eles, lembram?)

– Quantidade: 48

-Linhas interligadas (PRODUÇÃO e GÁS LIFT), diâmetros variando entre 2,5” e 10”:

                  – Comprimento total em metros:375.100

– MSP (Manifold submarino de produção):

                  – Quantidade: 8

                  – Peso estimado em ton: 1.400

– Gasoduto (baixa e alta), diâmetros variando entre 8” e 12”:

                  – Quantidade: 7

                  – Comprimento total em metros: 38.000

– Oleoduto, diâmetros variando entre 8” e 12”:

– Quantidade: 5

                  – Comprimento total em metros: 27.000

– ÂNCORAS (BRUCE 15T; STEVPRIS 15T; STEVIN 15T):

– Quantidade: 26

– Peso Total em TON: 31

– MANILHAS(ESPECIAL; DE UNIÃO; DE ÂNCORA E DE UNIÃO); DESTORCEDORES e ELO KENTER:

– Quantidade: 292

                  – Peso Total em TON: 340

– AMARRA DE FUNDO (SEM MALHETE); CABO DE AÇO SIX STRAND; RABICHO DE AMARRA  (SEM MALHETE); AMARRA DE SUPERFÍCIE (COM MALHETE):

– Quantidade em Metros: 19.800

Nota: vejam que citei somente os grandes equipamentos e sobressalentes. Mas acreditem, o mundo de sobressalentes é muito maior.

  Quadro Resumo:

  Quantidade Metros Toneladas
Poços 48 0 0
ANM 48 0 100
linhas 0 375.100 0
MSP 8 0 1.400
Gasoduto 7 38.000 0
Oleoduto 5 27.000 0
Âncoras 26 0 31
Manilhas 292 0 340
Amarras 0 19.800 0
Total 386 459.900 1.871

 

O leitor mais atento, já deve ter percebido a fenomenal dificuldade e complexidade que será o descomissionamento. Vou listar, de maneira macro, as oportunidades e as dificuldades, que os concessionários; sua “Supply Chain” e, todos os órgãos reguladores, ambientais ou não, terão para tomar certas decisões:

  1. Oportunidades:
  2. Poços:
    1. vejam que, temos uma quantidade significativa, tanto para sondas ancoradas (água rasa), quanto para sondas DP (águas profundas). Se considerar uma média otimista de 02 meses, por poço, teríamos 06 por ano. Se são 48, teríamos campanha para uma sonda, por 12 anos. Mais sondas, menos anos;
    2. Digamos que, a empresa decida fazer em três anos, então hipoteticamente, conforme nosso exemplo, precisará de 04 sondas simultâneas, certo? Neste caso, viagem até o artigo anterior, e vejam a estupenda logística necessária para suporte à uma sonda e, imaginem as oportunidades, está tudo lá;
    3. Ambientais: as empresas; universidades; consultorias independentes; advogados, etc. Têm um vasto campo aqui também. Se estão acompanhando os meus artigos, já visualizaram o potencial fantástico de prestação de serviços. Se não, fiquem a vontade para me contatar;
  3. Linhas, Gasodutos e Oleodutos:
    1. Falamos de 440 km, imaginemos se, a operadora tenha de retirar tudo isto (vou falar das dificuldades mais abaixo). Novamente peço que viagem de retorno ao artigo anterior e pergunto: conseguem visualizar a imensa oportunidade logística? Não vou me repetir aqui, leiam lá, será excepcional, sem contar a venda de sucata remanescente; oportunidades tributárias fantásticas, etc. Mas se não conseguem, fiquem à vontade para me consultar;
    2. Ambientais: Muito maiores, repito: muito maiores as oportunidades, do que no caso dos poços. Se estão acompanhando os meus artigos, já visualizaram o potencial fantástico de prestação de serviços. Se não, fiquem à vontade para me consultar;
  4. MSP (não citei os PLET e PLEM):
    1. Pessoal, estamos falando de 1.400 toneladas de aço puro. Imensa quantidades de válvulas de todas as dimensões e utilidades; flanges; estojos; etc; etc.;. Conseguem imaginar o que são 1.400 ton.? Na mesma linha, voltem aos artigos anteriores. Se estão acompanhando os meus artigos, já visualizaram o potencial fantástico de prestação de serviços. Se não, já sabem;
  5. Âncoras; Manilhas e Amarras:
    1. Viram as quantidades; metragem e peso de puro aço envolvido? Por favor, não deixem de fazer o link entre todos os artigos desta série de logística. Visualizem as oportunidades, mas se não conseguirem, já sabem.
  6. Plataformas:
    1. SS; FSO; FPSO, outras não fixas: Para estas temos duas oportunidades;
      1. Com autorização de órgãos reguladores para navegarem para portos no País: As oportunidades logísticas são imensas. Reboques no mar; transportes em terra; portos; armazenamento, etc. Já esclarecido nos artigos anteriores;
      2. Sem autorização de órgãos reguladores para navegarem para portos no País: As oportunidades giram em torno de reboques diretamente para portos no exterior. Identificação e contrato com portos no exterior; destruição e fenda de sucata no exterior; parcerias com empresas internacionais; etc. Se precisarem me contatem.
    2. Fixas:
      1. Oportunidades de transformar em criador de recifes, caso tenha autorização dos órgãos ambientais, conjugando com reboques; oportunidades turísticas; etc.
      2. Reboque dos módulos para portos / estaleiros: Desmontagem módulo a módulo, transportando para terra e, desmontando peça a peça. Oportunidades em cada fase desta cadeia, já explicada nos artigos anteriores. Gargalo para a decisão, sempre será os órgãos reguladores, que defendem nosso meio ambiente. 

Mas até aqui, clareza solar?

Pessoal, este artigo já ficou muito grande, então vou deixar para o próximo, as dificuldades e, encerrar esta série. O assunto é fenomenalmente extenso e, quanto mais escrevo, mais vem à cabeça aspectos e impactos acerca do assunto. Mas creio que está ficando bem útil. Leiam com cuidado e, tenham total atenção às figuras, porque usarei muito as mesmas no próximo artigo.

Então…

To be continued….




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