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Quase aliados, PDT e PSB se enfrentam pelo governo do Amazonas

Governador Amazonino Mendes disputa contra seu antecessor, opondo PDT e PSB em briga direta / Foto: Agência Brasil

Após a decisão – ainda não oficializada – do PSB de manter-se neutro na disputa presidencial em troca do apoio do PT nas eleições estaduais, o Amazonas será o primeiro estado produtor de petróleo e gás impactado por uma disputa direta entre os socialistas e seu quase parceiro de chapa, o PDT. No estado, o atual governador Amazonino Mendes (PDT) lidera a corrida pela reeleição. Mas tem no presidente da Assembleia Legislativa, David Almeida (PSB), seu principal adversário.

Amazonino está no quarto mandato como governador, mas dessa vez chegou ao Palácio Rio Negro por uma eleição extemporânea depois que a Justiça caçou o mandato de José Melo (PROS), eleito em 2014, por compra de votos.

Próximo do ex-governador, Almeida foi líder do governo Melo na Assembleia com eu apoio e, em maio de 2017, ocupou o governo provisório. O vice-presidente da Assembleia, Abdala Fraxe (Podemos), tentou no Supremo Tribunal Federal (STF) impedir a eleição suplementar defendendo a manutenção do governo provisório.

Justiça investiga atos de Almeida enquanto governador do governo provisório

Na última semana, a Justiça bloqueou bens da família do deputado Abdala em uma investigação que apura o pagamento apressado de R$ 10,5 milhões como indenização pela desapropriação de um terreno da família do deputado na zona Oeste de Manaus. O pagamento foi feito pelo governo estadual na gestão tampão de Almeida. O pagamento ocorreu à revelia da Procuradoria Geral do Estado.

Após a eleição de Amazonino, o governo entrou com uma Ação Declaratória de Nulidade de Desapropriação Administrativa, requerindo o valor de volta aos cofres públicos. O resultado da ação foi o bloqueio de bens dos familiares do deputado.

Partidos ainda não definiram apoios

Na pesquisa mais recente para a disputa, divulgada em 10 de julho pelo Cipec (Centro Integrado de Pesquisa e Comunicação), Amazonino aparece liderando a corrida com 24% das intenções de voto. Almeida tem 16% e Wilson Lima (PSC), %. Em um eventual segundo turno, a pesquisa aponta vitória de Amazonino sobre Almeida com 39% dos votos contra 31%. Também ganharia de Wilson Lima com 40% dos votos contra 33%.

Até a última terça-feira a maioria dos partidos ainda não havia definidos seus apoios na eleição do estado. Liderança no MDB do Amazonas, o senador e ex-ministro de Minas e Energia no governo Dilma Rousseff, Eduardo Braga, concentra esforços em sua reeleição. Braga concorreu na eleição extemporânea do ano passado com o apoio do PCdoB, mas a decisão do MDB amazonense de apoiar a candidatura presidencial de Henrique Meirelles, confirmada hoje, afasta Braga dos aliados na esquerda.

O MDB deve decidir sua posição na corrida estadual em convenção neste sábado. No mesmo dia haverá a convenção do PSDB, de Alckmin. O Podemos, de Álvaro Dias, fará a sua no domingo.

Decisão do PT nacional desagrada direção estadual do partido no apoio ao PCdoB ao Senado

A decisão do PSB na corrida nacional provocou ontem a edição de uma resolução pela direção nacional do PT, no documento o partido afirma a decisão de “Apoiar, nos estados do Amazonas, Amapá, Paraíba e Pernambuco, os candidatos a governador do PSB, assim como já apoiamos a candidatura do PCdoB no Maranhão”.

O acordo nacional do PT com os aliados do PSB e do PCdoB, no entanto, teve impacto na corrida ao Senado no estado. Enquanto a direção nacional do PT trabalha para incluir a candidatura de Vanessa Grazziotin (PCdoB) ao Senado na chapa, o PT estadual quer o deputado federal Francisco Praciano (PT) na disputa. Praciano ficou em segundo lugar na eleição ao Senado em 2014, perdendo para Omar Aziz (PSD). Em 2014 as eleições nacionais renovaram apenas um dos três senadores de cada estado.

Aziz hoje é ele próprio um adversário de Amazonino na disputa ao governo estadual. Com 8% dos votos na pesquisa do Cipec de julho, Aziz figura em quarto lugar, atrás de Wilson Lima (PSC), com 12%. Lima disputa o governo pela primeira vez pelo partido do presidenciável Bolsonaro e conta com apoio declarado do Rede, partido da presidenciável Marina Silva – que desistiu da candidatura do policial federal Junior Brasil para entrar na coligação. Na chapa também está o PRTB, sigla que ofereceu há dois dias o polêmico general Hamilton Mourão para vice de Bolsonaro na corrida nacional.

A pesquisa do Cipec foi realizada de 5 a 8 de julho com 1.200 pessoas residentes no Estado do Amazonas entrevistadas por telefone. A sondagem foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o nº AM-09504/2018.

A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos. Foi aplicada uma ponderação paramétrica para compensar desproporcionalidades nas variáveis de sexo, idade, grau de instrução e nível de renda.

 

Guilherme Serodio é editor de Política da E&P Brasil

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