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Petrobras leiloa equipamentos da fábrica de fertilizantes de Uberaba

Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN) V em Minas Gerais (planta de amônia). Foto: Divulgação / outubro 2012
Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN) V em Minas Gerais (planta de amônia). Foto: Divulgação / outubro 2012

A Petrobras abre nesta sexta-feira (20/10) leilão internacional para venda dos equipamentos que foram comprados para Unidade de Fertilizantes Nitrogenados V, que seria instalada pela empresa no município de Uberaba, em Minas Gerais. As obras do projeto seriam tocadas pelo consórcio Toyo-Setal por R$ 2,1 bilhões, mas acabaram interrompidas em 2015. O leilão eletrônico acontecerá nos dias 21, 22 e 23 de novembro.

A unidade foi batizada como Unidade de Fertilizantes Nitrogenados José Alencar, em homenagem ao ex vice-presidente da República, em 2014, quando teve sua pedra fundamental lançada pela ex-presidente Dilma Rousseff e a ex-presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

A Petrobras está vendendo no leilão as esferas de amônia, tanque de armazenagem de amônia, transformador de entrada de energia, bomba centrífuga, bomba submersível, filtros bag, separador de água e óleo, tanque de armazenamento de ácido sulfúrico, vaso separador gás combustível, vaso receptor de ar comprimido, vaso receptor de ar instrumento, vaso knock out flare amônia, vaso knock out flare hidrocarbonetos, vaso drenagem amônia, dosadores de polímero, tubulação industrializada montada em peças, estruturas predial montadas em peças e estruturas pipe-rack montadas em peças de propriedade da Petrobras e, quando houver, seus acessórios e sobressalentes.



A UFN V teria capacidade de produção de 519 mil toneladas por ano de amônia e iria consumir 1.257 mil m3/dia de gás natural. Integrante do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), o projeto teve seu primeiro prazo de partida previsto para dezembro de 2014. O investimento inicial era de US$ 1,3 bilhão, com conteúdo local de 65%.

Mas o que aconteceu?

A área de fertilizantes já foi a grande aposta da antiga diretoria de Gás e Energia da Petrobras para monetizar gás natural. A empresa tinha três projetos de novas plantas a serem instaladas no país. O mais adiantado, a UFN 3, em Três Lagoas, faz parte do atual plano de desinvestimentos e parcerias da petroleira. A unidade 4, em Linhares, no Espírito Santo, nunca saiu do papel.

No caso específico da unidade de Uberaba, a Petrobras não conseguiu viabilizar com a Gasmig, distribuidora de gás natural do estado de Minas Gerais, compromisso firme para fornecimento de gás para o projeto. O fornecimento de gás natural seria feito pelo gasoduto Betim-Uberaba, com 457 km. O gasoduto deveria transportar 3 milhões de m3/dia a partir de maio de 2016.

Em 2013, o então governando de Minas Geris, Antonio Anastasia, chegou a anunciar um acordo entre Petrobras, Cemig, Gasmig e Gaspetro para a construção do gasoduto. “Com essa solução, o Governo de Minas cumpre o compromisso feito com o Governo Federal e com lideranças do Triângulo Mineiro, de viabilizar o gasoduto, uma obra de fundamental importância para a instalação da fábrica de amônia da Petrobras”, afirmou o governador de Minas na época.

Em junho de 2015, ainda no governo Dilma Rousseff e na gestão Aldemir Bendine (hoje preso pela Operação Lava Jato), a Petrobras decidiu retirar o projeto da UFN 5 do seu planejamento. A decisão foi tomada por conta do alto custo de implantação e a queda na demanda por fertilizantes no país, disse a empresa na época.



“A Petrobras entende que, atualmente, o investimento na construção desse projeto, com base na relação custo-benefício, não se mostra adequado em comparação a outros negócios da companhia”, declarou a empresa no blog Fatos e Dados, em 5 de agosto de 2015.

Movimento político

 O prefeito de Uberaba, Paulo Piau, vinha trabalhando para tentar fazer a Petrobras colocar o projeto em seu plano de desinvestimento. A ideia era conseguir um novo investidor para a fábrica. Ele esteve reunido em abril com o presidente da estatal, Pedro Parente, e em agosto com o gerente-executivo de Gás natural da petroleira, Rodrigo Lima, para pedir o desinvestimento.

“Temos que tentar todos os meios. Estou aqui novamente, pois não podemos deixar de demonstrar nosso interesse e anseio de que esta situação se resolva. Quem sabe, se adotarem o mesmo formato de vendas que está sendo estudado para os aeroportos deficitários da Infraero, a situação se resolva? O que queremos é a retomada da obra, que irá gerar empregos para Uberaba. Isso é que nos motiva a correr atrás da continuidade desta obra”, disse na época do encontro.



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