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21 de maio de 2018

Novo mapa da exploração
Por Gustavo Gaudarde e Felipe Maciel

Mais de 31 mil km² de área marítima e de 17 mil km² em terra contratados em dois anos por 17 diferentes operadores e estimativas de investimentos de R$ 2,7 bilhões para execução dos programas exploratórios mínimos (PEMs) previstos nos contratos.

Esses são alguns dos números alcançados com a 2ª e a 3ª rodadas de partilha e as 14ª e 15ª rodadas de concessão de blocos exploratórios realizadas em 2017 e início de 2018 pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Os leilões desenharam o novo mapa da exploração no Brasil, especialmente no offshore, norteador dos investimentos nos próximos anos.

Os valores de investimento são uma estimativa baseada nos programas exploratórios mínimos (PEM) ofertados nos leilões, que, calculados em unidades de trabalho (UTs), têm uma equivalência definida pela ANP em reais.

A Petrobras, como aconteceu em todos os leilões de petróleo no Brasil desde a abertura, liderou a busca pela operação de ativos olhando o conjunto dos leilões. Como vem prevendo Pedro Parente, presidente da estatal, foi muito mais seletiva. E diluiu risco buscando parceiros para todos os projetos.

O fim da operação única da Petrobras no pré-sal trouxe para o país dois novos operadores na partilha da produção do pré-sal. Shell e Equinor (novo nome da Statoil) comandam as áreas de Sul de Gato do Mato e Norte de Carcará, arrematadas no 2o leilão do pré-sal, respectivamente. A Shell também é operadora do bloco Alto de Cabo Frio Oeste, licitado no 3o leilão do pré-sal.

O recorte na 15a rodada da ANP, realizada em março deste ano, contudo, indica um começo de mudança na trajetória das concorrências. A ExxonMobil foi a empresa que mais arrematou áreas como operadora. Ao todo seis áreas nas bacias de Campos, Santos e Sergipe-Alagoas.

Com as rodadas de 2017 e 2018, a área operada por empresas além da Petrobras mais que dobrou, chegando a 33 mil km² no offshore brasileiro. A Petrobras tem hoje 45 mil km² de área offshore, 13 mil km² contratados nas rodadas recentes, de acordo com o Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) da ANP. Considerando contratos das rodadas anteriores, até 2016, a estatal tem 32 mil km² offshore.

A Shell é a operada privada com a maior área exploratória no pais. São ao todo 9,9 mil km² de área seguida pela ExxonMobil, que possui depois dos quatro novos leilões 8,8 mil km² de área exploratória no Brasil com participação em 19 blocos.

Bom sinal, afinal um dos motivos para a estagnação dos investimentos em exploração no país foi a concentração de projetos nas mãos da Petrobras. Quando a estatal e maior empresa do país precisa lidar com sua crise interna em um cenário de preços baixos, leva consigo todo o setor.

O pré-sal, como esperado, é o protagonista, mas desta vez quem lidera a atração de investimento é a Bacia de Campos, finalmente, entrando em uma trajetória de crescimento após dez anos sem novas áreas contratadas. Apenas para Campos, a ANP estima investimentos de R$ 1,6 bilhão.

Os quatro leilões geraram demanda para a perfuração de 12 poços no pré-sal, sendo oito na Bacia de Campos e outros quatro na Bacia de Santos. Mas as empresas já se preparam para ir além do programa mínimo.

A Petrobras iniciou o licenciamento ambiental do bloco exploratório Alto de Cabo Frio Central, na Bacia de Campos, arrematado em parceria com a BP no 3o leilão do pré-sal, realizado pela ANP em outubro do ano passado. O consócio está licenciando seis poços, sendo um firme e cinco condicionados aos resultados do primeiro.

A Shell está licenciando a perfuração de cinco poços no pré-sal, sendo dois no bloco Sul de Gato do Mato, na Bacia de Santos, e outros três no bloco Alto de Cabo Frio Oeste, Bacia de Santos. A petroleira assinou na última semana os contratos de partilha da produção das áreas e iniciou os processos de licenciamento no dia seguinte. A empresa pretende iniciar as campanhas de perfuração em janeiro de 2019.

Para se ter ideia do tamanho da mudança, no primeiro trimestre de 2018 foram perfurados cinco poços com objetivo exploratório (inclui poços especiais) no offshore brasileiro. A perfuração exploratória mais recente feita por outro operador foi há dois anos, na Bacia de Campos, no projeto de Pão de Açúcar, hoje operado pela Equinor.

De 2016 para cá, apenas a Petrobras contrata poços de exploração e, majoritariamente, para a campanha de Libra e para prospecção em campos maduros. A demanda por perfuração exploratória offshore é a menor em toda a série histórica compilada pela E&P Brasil, que começa em janeiro de 1990.