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21 de maio de 2018

Há futuro além do pré-sal
Por Gustavo Gaudarde e Felipe Maciel

Em comum entre as bacias do Espírito Santo, de Sergipe e Potiguar há descobertas de petróleo em águas profundas que saíram do radar do desenvolvimento de novos projetos de produção da Petrobras, tão logo foi necessário concentrar investimentos no pré-sal. Resultado da crise pela qual passou a companhia, dos preços do barril e, na ponta positiva, da escala dos projetos de Santos.

Os projetos em fase mais avançada (veja os detalhes abaixo), seguem incertos. Operados pela Petrobras, ainda não foram feitas as declarações de comercialidade e, claro, não há unidades de produção previstas no horizonte de investimentos confirmados.

Ainda assim, o interesse nas três regiões é crescente nos leilões realizados desde 2015, com contratação de dez blocos na Bacia Potiguar, seis blocos em Sergipe, e oito blocos no Espírito Santo. Projetos operadores por sete diferentes operadores, incluindo a Petrobras.

Sergipe

Atualização: Petrobras busca sócio para desenvolver os projetos de Sergipe e instalar dois FPSOs a partir de 2020.

A atividade em águas profundas é uma das promessas de criação de um novo polo offshore no país. Em 2013, a Petrobras estimava que seus projetos na região teriam recursos recuperáveis da ordem de 1 bilhão de barris de petróleo e gás natural. Já chegaram a circular no mercado projetos para construção de unidade de tratamento de gás e rotas de escoamento do energético. Este ano está programado um TLD para testar a produtividade de um dos reservatórios.

Na 13ª rodada, a QGEP foi a única a contratar blocos offshore. Levou dois em Sergipe. Nas 14ª e 15ª rodadas foi a vez da ExxonMobil arrematar mais quatro blocos e a expectativa é de investimentos mínimos de R$ 15 milhões para atendimento ao programa exploratório (PEM) previsto no leilão.

Espírito Santo

A atividade na bacia foi fortemente impactada nos últimos anos. Os projetos Parque dos Doces e, menos conhecido, Parque dos Cachorros (prospectos batizados de Dálmata, Labrador, São Bernardo, entre outros) estão paralisados. São descobertas de petróleo que tiveram plataformas previstas no plano de negócios da Petrobras (era o projeto Espírito Santo Águas Profundas).

A partir da 11ª rodada, de 2013, o futuro da região começou a tomar novos rumos. O consórcio formado por Petrobras e Equinor (novo nome da Statoil) investiu na contratação de seis blocos – a norueguesa opera quatro áreas – e, na 15ª rodada a Repsol e a estatal chinesa CNOOC contrataram, como operadores, uma área cada.

Com isso, a CNOOC vai estrear na operação offshore no Brasil. A empresa é sócia em outros projetos inclusive em Mero, ao lado da também estatal chinesa CNPC e de Shell, Total e Petrobras. A Repsol, por sua vez, tem em no histórico a operação que levou à descoberta de Pão de Açúcar, Gávea e Seat, na Bacia de Campos (o projeto hoje é operado pela Equinor) e, agora, amplia o portfólio para o Espírito Santo.

Potiguar

Em 2013, a Petrobras confirmou a presença de óleo em águas profundas do Rio Grande do Norte, com a descoberta de Pitu. Chama atenção porque o sucesso exploratório pode significar a mudança no perfil petrolífero do estado, que hoje é o maior polo onshore do país. São, atualmente, 15 blocos contratados, mais da metade nas rodadas de 2017 e 2018 e três da 11ª rodada.

A área exploratória da bacia Potiguar estende-se, em boa parte, pelo litoral do Ceará, que tem sua própria bacia, com mais seis blocos contratados, cinco deles na 11ª rodada e um, na 15ª rodada. Combinadas, as Bacias Potiguar e do Ceará se destacam pela proliferação de operadores: Ecopetrol, ExxonMobil, Chevron, Petrobras, Premier, Shell, Total e Wintershall, sendo que esta última voltou ao país na 15ª rodada.