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Dona da Brastemp e Consul alerta Cade sobre venda da Braskem

Odebrecht e a LyondellBasell negociam aquisição Credito: divulgação/João Musa

A Whirlpool Corporation, dona das marcas Brastemp e Consul, enviou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando “urgente atenção” sobre o tema da compra da participação da Odebrecht na Braskem pela LyondellBasell. O ofício, assinado pelo vice-presidente da Whirlpool, Armando Ennes do Valle Jr, alerta que o tema é estratégico para o interesse público.

Sem sugerir o veto da operação, a Whirlpool aleta que a Braskem é o hoje a única fabricante nacional de resina de polipropileno (PP), insumo fundamental para a linha branca como refrigeradores, freezers, lavadoras, fogão, microondas. Adiciona-se na preocupação da empresa, duas medidas antidumping em vigor contra Estados Unidos, África do Sul, Coréia e Índia, “tornando praticamente inviável a compra de polipropileno do exterior, e retirando competitividade dos produtos da linha branca.”

“Os efeitos de tal concentração e elevada proteção, por si só já são graves para os produtores domésticos de linha branca, como se vê do comportamento dos preços do PP, que mantiveram-se em alta, apesar da queda do preço do barril de petróleo, verificada desde 2014”, diz o ofício.

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Contexto. No último dia 15, a Braskem anunciou que a Odebrecht entrou em negociações exclusivas para a venda de sua participação na Braskem para a holandesa LyondellBasell. A Braskem reúne dois sócios. A Odebrecht tem 38,3% da companhia, ou 50,1% do capital com direito a voto, enquanto a Petrobras tem uma participação total de 36,1%, ou 47% das ações com direito a voto, segundo informações do site da companhia.

“Caso a negociação seja finalizada com êxito, a Petrobras irá analisar os termos e condições da oferta da LyondellBasell, de forma a avaliar o exercício dos seus direitos previstos no Acordo de Acionistas da Braskem.”, disse a petroleira em nota no mesmo dia.

Veja aqui o ofício na íntegra

Luz amarela. O ofício pode acender a luz amarela na negociação entre as duas empresas já que o Cade tem sido bastante duro na avaliação dos negócios ultimamente. A postura do órgão de defesa da concorrência mudou bastante desde a aprovação de fusões histórica, como Sadia e Perdigão e Gol e Webjet.

Vetos recentes. Recentemente, o Cade vetou duas operações envolvendo o Grupo Ultra no setor de petróleo. Impediu, a partir da Ultragaz, a compra da Liquigás, subsidiária da Petrobras que faz distribuição de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), e a partir da Ipiranga, a compra da rede de postos da Alesat, que foi recentemente renegociada com a Glencore.




Editor-Chefe da Agência E&P Brasil

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