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Como segurar uma atividade de descomissionamento?

 

Conhecendo um pouco das operações de Descomissionamento que, por favor, não insistam em pensar que se trata de uma engenharia reversa, eu colocaria as seguintes dificuldades operacionais, para que no EVTE, emitido hoje, por exemplo, para um novo campo, se possa refletir a realidade de daqui a 25 anos, idade média de uma concessão.

O problema é que, um EVTE superestimado, pode levar não ter economicidade no projeto e, caso o mesmo tenha economicidade, a provisão seria maior que a devida, penalizando o rendimento do acionista, do empregado (problema a vista com sindicato) ou com fisco.

O inverso pode levar a subestimar a provisão, aumentando os rendimentos já citados. Mas, na hora da realização física e orçamentária, com uma provisão a menor, a diferença teria de ser levada imediatamente a resultado, impactando de forma negativa o resultado da empresa, das acionistas, dos empregados. Opa!! Isso não seria nada bom.

Vamos exercitar o que poderia ou poderá afetar o resultado de um EVTE, pensar em toda a cadeia, como seria hoje e como poderá ser daqui a 25 anos:

1 – Vou começar pelo TNORM CAT I: Hoje a solução passa por uma “descontaminação” em um portal (uma das tecnologias), e o rejeito levado para aterros sanitários. Mas se trata de rejeitos normais da produção, mas com os descomissionamentos rotineiros que irão ocorrer nos próximos anos, estas quantidades de seu tratamento terão de ser melhor estimados, certo?

Mas e se o INEA (que ainda não foi chamado para a festa DECOM de forma firme); descobrir que os aterros sanitários não oferecem segurança em termos de contaminação de solo e, determinar que as soluções passem por inúmeros projetos de P&D e, que as soluções oriundas demandem investimentos não previstos e, que impactem substancialmente os EVTE originais??

Como as seguradoras irão orçar isto?

2 – TNORM CAT II: Este hoje é o mais fácil de se orçar, sabem porquê? Porque não existe uma solução para ele. O que se tem é que a operadora, deve ter uma enorme área para armazenar os contentores; tubos de perfuração ou de produção, mas até quando. Digamos que a CNEM ou INEA, encontrem uma solução do tipo transportar tudo para as Fossa das Marianas, mas que os contentores deverão ser super resistentes para resistir à pressão, ou que dever-se-á encontrar pedreiras ocas onde após armazenados, os contentores contaminados, devam, ser selados com uma parede na entrada super resistente; ou ainda que, sabendo ser a terra redonda (apesar de correntes contrárias hoje), portanto não tendo um “fundo infinito, os órgãos reguladores do Brasil e do mundo, decidam que rejeitos radioativos não são seguros na terra e, decidam que tem de ser levados para Lua ou Marte (estão rindo, tem uma solução melhor?), imaginam as despesas extras não contingenciadas no EVTE?

Até aqui, clareza solar em Marte?

3 – Mudanças na legislação: vamos à um exemplo real. Em 2016, foi publicada o Sistema de Gerenciamento da Integridade de Poços (SGIP). Resumindo o problema, todos os poços sem monitoramento (mais de duas centenas na Bacia de Campos, por exemplo), tem de ser abandonados em até 03 anos. Imagine que uma unidade esteja para ser descomissionada agora, mas o BID 0 vai até 2025, então, hipoteticamente, o EVTE original considerou que os abandono definitivo deveria ser somente a partir de 2025, mas agora, tem de abandonar já. Ora os valores de abandono, sempre altíssimos, trazidos a valor presente, além do próprio dispêndio do CAPEX agora, é algo inesperado, como as Seguradoras orçariam e orçarão?

4 – Por fim, para terminar os exemplos, imaginemos que, devido à incrustação por organismos exóticos, a Plataforma a ser descomissionada, não possa ser retirada da locação para um porto no Brasil, que seu leilão tenha a restrição de que o vencedor deverá transportar a unidade diretamente da locação para um porto no exterior que aceite tais organismos. Ou pior, que a operadora tenha de encontrar uma solução para eliminar tais organismos, ainda na locação (o que ainda não existe com eficiência e eficácia, estes custos com certeza não estarão no EVTE, nem na provisão.

5 – O regulamento 27/2006 da ANP, será atualizado em breve e, pelo tom do DG em artigos recentes, para descomissionar a operadora terá de provar por A + B que realmente não existe mais opção para aumento do FR. Deverão ser estudos bem completos, o que será ótimo para o país; mas que traz mais uma variável incontrolável, por enquanto, para que, quer orçar um descomissionamento.

Paro por aqui com os exemplos, que eu teria para cada processo, mas ficaria cansativo.

Entretanto, para não ficar em cima do muro, se eu fosse o gerente de Descomissionamento de uma operadora, salvo melhor estudo, minha tendência seria provisionar com óleo. Sempre, em tese, eu teria produção simultaneamente à áreas que estariam sendo descomissionadas. Seu valor, enquanto Commodity, oscila ao sabor de variáveis intangíveis, por vezes, como na bolsa, por exemplo se um maluco de sobrancelhas horríveis; um anão ou o efeito de uma vodka, resolverem apertar botões e, se o mundo não acabar, o óleo dispara. Mas como disse, carece de estudos. Além de outras variáveis que podem mudar tudo e, que não abordei aqui, mas que vocês podem me consultar, sempre que enterrem eu possa ser útil.

Até aqui, clareza solar?

Agora, se é difícil para a operadora orçar / estimar tais custos; imaginem para a seguradora. Ela com certeza irá errar feio, no início, até adequar suas estimativas a tal realidade. Mas uma seguradora, como qualquer banco, nunca erra para baixo seus vencimentos, então elas com certeza irão estimar baseados em alto risco e, com isto, os custos para as operadoras irão ficar muito maiores, onerando ainda mais o que não foi orçado lá atrás ou hoje contra as mudanças no futuro, afetando lucro, etc, etc.

Então, eu sugeriria à ANP / seguradoras / Operadoras, uma força tarefa que possa encontrar o ponto de equilíbrio necessário para otimizar tal OPEX. Lembro que o OPEX impede que o CAPEX cumpra o papel social dele de investir, consequentemente, gerando receitas, empregos, novos investimentos.

Resumindo tudo isto: Que a tal nova exigência dos contratos de concessão, não onere ainda mais o OPEX para descomissionar, deixando o CAPEX mais tímido e acanhado.

No oitavo artigo, vou tentar abordar como anda o que chamo de “macarronada” no fundo do mar e como os AUV e os ROV, podem ajudar a todos.

Clareza solar??




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