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Como a Modec contrata os FPSOs que constrói para o Brasil?

FPSO Cidade de Itaguaí em operação na área de Iracema Norte, localizada no campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos. Foto: Agência Petrobras / Stéferson Faria
FPSO Cidade de Itaguaí em operação na área de Iracema Norte, localizada no campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos. Foto: Agência Petrobras / Stéferson Faria

A Petrobras e a Modec anunciaram que fecharam o afretamento do FPSO que será instalado no campo de Sépia, área da cessão onerosa, no pre-sal da Bacia de Santos. A unidade terá capacidade para produzir 180 mil barris por dia de petróleo e comprimir 6 milhões e será instalada em lâmina d’água de 2.100 m.

O FPSO foi contratado depois de mais de dois anos de licitação e muita polêmica sobre os itens de conteúdo local para a unidade. A Petrobras chegou a pedir para a Agência Nacional de Petróleo (ANP) a isenção de conteúdo local para o projeto, mas a agência paralisou o pedido por conta da revisão do contrato da cessão onerosa.

A Modec anunciou na manhã de hoje que a unidade será construída respeitando as regras de conteúdo local do país. Este será o 13o FPSO entregue pela empresa japonesa para operação no offshore brasileiro.

E como a Modec contrata os FPSO que vão produzir no país?


Uma olhada no último projeto da Modec com a Petrobras pode ajudar muito a entender como é feita a contratação da empresa para este tipo de projeto. O último projeto encomendado e entregue à Petrobras foi o FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, que já está na Bacia de Campos para produzir a partir do primeiro trimestre do próximo ano no campo de Tartaruga Verde. 

Todos os projetos que a Modec realizou para a Petrobras tiveram cascos convertidos fora do Brasil e módulos integrados no Estaleiro Brasfels. O FPSO Cidade de Campos de Goytacazes, por exemplo, teve seu casco convertido no Estaleiro Cosco, na China. Para replicar esse modelo, uma mudança no contrata cessão terá que ser feita, já que o atual contrato prevê índice de conteúdo local de 70% para casco.

A assinatura do contrato entre a Petrobras e a Modec pode ser um indicativo de que as negociações entre a petroleira e o governo estejam caminhando para um fim na questão da revisão do contrato da cessão onerosa. A mudança dos índices de conteúdo local pode ser feita diretamente entre as duas parte nesse caso, sem precisar passar pela ANP, indicou o Ministério da Fazenda na consulta pública feita pela agência para discutir a flexibilização dos índices de conteúdo local.

Em todos os projetos que toca, a Modec contrata sua subsidiária Sofec, instalada em Houston, para fazer o sistema de ancoragem das plataformas. O Estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, é sempre responsável pela construção e integração de módulos no país. 

As unidades de produção da empresa têm E-Houses construídos pela Siemens ou pela ABB. Singapura é sempre o destino de construção dessas unidades por conta da proximidade com os cascos. Integrando a compra, o preço global é reduzido.

Também são comprados fora do país os pacotes de compressores. Os últimos projetos da empresa têm fornecimentos variando entre GE, Hitachi e Manturbo. Pacotes de injeção química acabam vindo também de fora do país, de empresas como Lewa (Singapura), BOMESC (China) e Frames (Holanda).

No Brasil geralmente são feitas partes dos módulos. A EBE, por exemplo, é um fornecedor bastante costumeiro da Modec para módulos de separação de água e óleo. Esteve em todos os últimos projetos da empresa no país. Também são contratados aqui os sistemas de offloading com empresas como IHC e Techflow Marine e pacotes de tratamento de água do mar, com empresas como Suez .

Editor-Chefe da Agência E&P Brasil

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